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quinta-feira

Palavras de Krishna Para um Ariano



Não cedes à fraqueza que de nada te serve. Enche-te de coragem contra teus inimigos e sês o que realmente és! O sábio não se entristece por nada, nem por causa dos mortos, nem por causa dos vivos. Perecíveis são os corpos, esses templos do espírito – eterna e indestrutível é a alma que neles habita. Por isso, ó Arjuna, luta!
Quem pensa que é a alma que mata, o Eu que mata, ou o Eu que morre, não conhece a verdade. O Eu não pode matar nem morrer. A morte é inevitável, todo morrer é um nascer.
Quem abandonar totalmente a falsa noção de que seu ego seja o seu verdadeiro Eu realizador, quem possuir pureza de coração e nítida discriminação, este não mata, embora exterminasse exércitos, nem é responsável pela conseqüência de seus atos.
Não vaciles, para um príncipe da classe dos guerreiros nada é superior a uma guerra justa. Felizes deveras são os guerreiros chamados a lutar em uma destas batalhas, que lhes vêm espontaneamente como uma porta aberta para os céus. Se não combateres incorrerá em pecado, pelo fato de abandonares teu dever e tua honra. E pior que a morte é certamente a desonra.
Se disseres “não lutarei”, iludes a ti mesmo; e a própria natureza, em virtude de seus atributos, o obrigará a lutar. Confia em mim e vive na fé em mim. Pelo poder de minha graça alcançarás a vitória sobre todos os obstáculos; Mas se confiares somente em tua força pessoal, e não em mim, serás derrotado.
No interior de cada homem habita o mestre, e por meio de Maya, sua manifestação cósmica, impele todos os seres a gravitarem em torno dele, assim como as periferias da roda giram em torno do seu eixo central.

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NIRVANA
Onde para os outros reina a escuridão, lá, o homem sábio enxerga a claridade; e onde o profano fala sobre dia cheio de luz, lá o vidente espiritual vê a tenebrosa noite da ignorância. Isto se chama viver na consciência de Brahman. Quem atingiu este estado nunca mais pode cair na ilusão antiga, e vivendo neste estado de consciência, alcança finalmente o estado de libertação absoluta, na experiência de sua união com Brahman.

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O RETO AGIR
Ninguém se liberta da escravidão do seu agir pelo fato de não agir – e ninguém atinge a perfeição interna por desistir da atividade externa. Não há como existir um só momento sem agir, a própria natureza o compele a agir, mesmo pensar é agir, no mundo mental. Toda ação que não é praticada como um ato de culto ao divino redunda em escravidão, sejam então tuas atividades um ato de adoração! Não age apenas por dever, habita no céu do seu Eu divino, em harmonia consigo mesmo. Sem desejos, apegos, deste modo não será mais tu que agirás, uma vez que todos os motivos pessoais deixaram de existir, pois este homem será uno com Aquele que não é afetado por aquilo que acontece ou não, no mundo externo, nem carece de auxílio algum.
O sábio que pela força da verdade renuncia a si mesmo integra-se em Brahman. Este é puro de coração, forte no bem e senhor de todos os seus sentidos; e ele realiza todas as suas ações sem ser escravizado por nenhuma delas, pois reconhece que não é ele que age, quando vê, ouve, ou sente. Quem tudo faz sem apego ao resultado de seus atos, faz tudo no espírito de Deus, e como a flor de lótus que não se contamina pelo lago em que vive, permanece isento do mal. Com todas as forças do espírito luta pela purificação da alma sem nada buscar para si mesmo. Quem tudo renuncia, alcança a mais alta paz de espírito; mas quem espera vantagem de suas obras, é escravizado por seus desejos. O sábio que em corpo terrestre se liberta do egoísmo, habita a cidade dos nove portais.

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NA MINHA DIVINDADE
Sou sem nascimento nem morte, eterno, e senhor de tudo que existe. E meus deuses nascem, vêm e vão. Ao efêmero reflexo do espelho da natureza, imprimo o sigilo de minha divindade pela alta magia de meu espírito. Toda vez que a ordem morre e a desordem impera, torno a nascer em tempo oportuno, assim exige a lei. Para proteger o bem e destruir o mal, encarno no seio da humanidade, ensinando o caminho que leva à libertação. Aquele que compreende minha vocação divina, e o mistério de minha encarnação, não tem necessidade de nascer novamente após a morte aqui na terra; ele vem a mim, ditoso. Libertos de apegos, paixões e temor pelo poder da meditação e sabedoria, purificados pelo fogo do amor; estes, após a morte, ingressam em meu Ser.

O Senhor do Universo não toma sobre Si as culpas dos homens porque está acima de todas as ações, perfeito em si mesmo. Erram os homens por sua própria ignorância, porque a luz da verdade está envolta nas trevas da ilusão. Quando as trevas cedem à luz, amanhece o dia, e assim como o sol em pleno esplendor, revela-se o Ser Supremo, e quem se integra a Ele, está livre de incerteza e trilha o caminho luminoso do qual não há retorno, porque a luz da verdade o libertou do mal.

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SENHOR DE SI
O homem ignorante e cético não encontra sossego nem no mundo do aquém nem no mundo do além, nem atingirá repouso na eternidade. Mas quem se encontra a si mesmo é senhor de si; transcende pela sabedoria os efeitos de suas ações; nada mais o prende, e as dúvidas se dissipam à luz do conhecimento da divindade. Mata com o gládio da sabedoria estas dúvidas que nascem da insipiência e te angustiam o coração. Acorda-te e firma-te na experiência divina!
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IOGA
Retira-se a um lugar puro, num acento simples e firme, nem alto nem baixo de mais, coberto de capim kusha e uma pele de tigre ou veado, e um tecido de seda ou lã. E ali sentado, ereto e imóvel, com os sentidos e a mente perfeitamente controlados, e a alma uni polarizada, pratica o homem ioga a fim de conseguir a purificação da sua alma divina. Mantém o corpo, o pescoço, a cabeça, eretos, com espontânea naturalidade, fazendo os olhos convergirem na base do nariz, pelo poder da visão interna. Está firmemente estabelecido no espírito de Brahman Charya (consagrado a Brahman), livre de qualquer solicitude, todo focalizado em mim e a mim devotado com todo o seu ser. Assim, em permanente contemplação no ser supremo, torna-se o iogue um poderoso soberano no seu próprio reino e entra na paz e no gozo supremo do nirvana. Quem come demais ou de menos, quem dorme demais ou de menos, este, é absolutamente inato para praticar ioga. A perfeita ioga o torna imune mesmo às maiores dores, mas esta meta só é alcançada por meio de muita energia e perseverança. É necessário arrancar do coração todos os devaneios, vacilações, ganância, vaidade e mania de grandeza; é necessário vigiar e obstruir todas as portas por onde o mundo dos sentidos possa lhe invadir a alma. Então se aproximará de ti um santuário, e conhecerás as belezas da paz que habitam em um coração perfeitamente dominado, onde impera soberana a verdade e onde a alma goza da verdadeira liberdade.

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SATTVA, RAJAS E TAMAS
Sattva é iluminação, rajas é atividade, tamas é passividade – estes são os três poderes que nascem da natureza e prendem o espírito infinito neste mundo finito.
Sattva por ser puro e luminoso possui o dom de dar alegria e beatitude à alma livre de pecado e fascinada pela verdade. Aqueles que vivem à luz de sattva pairam sobre as alturas da consciência do eu divino. Quando a alma governada por sattva deixa este mundo, ingressa na mansão divina da luz, onde habitam aqueles que amaram o bem e o atingiram.
Rajas, a paixão que cria cobiça, empolga a alma pelo apego as obras. E também, gera atividade e desejo de conhecer. Quando desejos, ganância, cobiça, ambição e dinamismo externo perturbam o sossego de tua alma, então sabes que rajas te governa. Quem é dominado por rajas guia-se apenas pela consciência do ego mental. Quando o corpo morre em quanto rajas o governa, vai o homem ao reino ígneo dos desejos, lá onde vivem os seres ainda vinculados a terra.
Tamas nasce da ignorância e é causa da auto-ilusão em todas as coisas – um nada que domina o mundo inteiro e liga a alma pela inércia da passividade. Tamas resiste à luz da sapiência pelas trevas da insipiência. Quando estupidez, inércia e arrogante ignorância, erro, incerteza e superstição se apoderam de ti, então sabes que tamas te avassalou. Os que vivem em tamas conhecem apenas a vida corporal. Quando um homem morre envolto nas trevas de tamas, cego para a luz, é ele privado da natureza humana e desce à zona de seres mais inferiores.

Às vezes sattva prevalece sobre rajas e tamas; e às vezes tamas sobrepuja os dois. Quando perecem a luz do conhecimento e a força da cobiça, resta tamas. Quando tamas e sattva se apagam, continua a arder rajas. Mas quando a luz divina penetra todo o teu ser, então sabe que sattva alcançou em ti a maturidade.

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OS HOMENS DE NATUREZA NÃO DIVINA
Estes ignoram sua origem e seu fim, vivem como sonâmbulos, não existe nestes nem inteligência e nem retidão. “Não há neste mundo lei alguma, nem Senhor, nem ordem, nem verdade, o mundo se originou por um cego acaso; o fim de nossa existência é o prazer dos sentidos” é isto o que os homens de natureza não divina falam e enredados nesta ilusão passam eles suas vidas; pois impuros são os seus corações e obscurecidas são suas mentes. São a desgraça do mundo, pois impedem a paz e o progresso e promovem a ruína. Escravos de desejos insaciáveis, cheios de vaidade, hipocrisia e arrogância, cegados pelas aparências, amam a ilusão e vivem o avesso da verdade. Chamam a verdade à mentira e gostam da ilusão que leva à morte; Algemados por todo tipo de esperanças, luxúrias e violências, visam a um só escopo: acumular riquezas para satisfazer seus desejos sensuais. Esses malfeitores, escória da humanidade, esses infelizes e perdidos, mando-os repetidas vezes, durante os ciclos de nascimentos, para o corpo de seres inferiores.

FALSO É O CONHECIMENTO DO HOMEM, QUE, COM TODA A SUA ALMA, APEGA-SE A UMA COISA COMO SE ELA FOSSE O TODO; ENVOLTO NAS TREVAS DOS SENTIDOS, IGNORA ELE O PRÓPRIO FUNDAMENTO DA EXISTÊNCIA.

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A TRIPLICE FELICIDADE
É alcançada pelo autodomínio, que se goza no eu interior e que põe termo aos sofrimentos. O que em princípio se parece ao veneno, mas no fim é saboroso como néctar – esta é a felicidade que nasce do conhecimento de si mesmo e gera beatitude espiritual. Mas aquilo que em principio se parece com néctar e depois atua como veneno – por ser ilusão dos sentidos – isso é produto de orgulho mental.
Pernicioso e mau, tanto no principio quanto no fim, é o prazer que nasce da preguiça, da auto-indulgência e da estupidez – e é o que se chama de satisfação sensual.


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